domingo, 21 de agosto de 2016

A imensidão em um olhar.

Da autoria de Lerissa Kunzler

     Um olhar parado, perdido.
     Olhos que se fixam no horizonte e que lá se perdem, em meio à bruma de um mar esquecido. Olhos que se prendem aos pássaros que se vão para nunca mais voltar e que se enchem com a saudade já tão palpável quanto as flores silvestres do campo.
     Olhos que carregam a dor dos que sofrem, dor que se esvai em lágrimas salgadas.
     Olhos indiscutivelmente sinceros, mas tremendamente difíceis de se compreender.
     Um olhar perdido, tão perdido quanto os sonhos esquecidos, pelos quais ninguém mais suspira.
     Olhos viajantes que, ao se fixarem em lugar nenhum, se ausentam para passear em meio às nuvens, mergulhando em realidades jamais vistas.
     Um olhar fixo. Que pensa, que sonha, que chora e que sofre, mas que também sorri. Um olhar que, por ser tão calado, enxerga muito além do que os outros podem ver.

     Um olhar que se perde em meio a cores, aromas e sabores, que vem e vão, trazendo consigo inesperadas recordações. Um olhar tranquilo, mas atento, fixo na noite, perdendo-se no tênue limite entre as luminosas estrelas e a escuridão sombria. Um olhar profundo, em cujo abismo se ocultam sensações que se opõem, mas que em muitos momentos se conversam, como velhos conhecidos.
     Um simples olhar, mergulhado em um oceano de sensações do presente, lembranças do passado e esperanças de um melhor futuro.
     Uma imensidão... Tão grande, tão profunda.
     Mas que cabe toda em um olhar.

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