domingo, 25 de setembro de 2016

Sobre o livro: O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald

Título: O Grande Gatsby
Título original: The Great Gatsby
Autor: F. Scott Fitzgerald
Editora: Landmark
Edição:
Edição de luxo bilíngue
Ano: 2013
Nº de páginas: 223
Sinopse: A obra traz como pano de fundo a sociedade americana da década de 1920, época que ficou conhecida como a era do jazz. Ao se mudar para a casa ao lado, Nick Carraway adentra o mundo de extravagância e luxo de Jay Gatsby, um misterioso milionário que, na verdade, busca a atenção de um antigo amor, Daisy Buchanan, de quem se separou na Primeira Guerra Mundial. Um retrato pungente da decadência de uma sociedade materialista e deslumbrada com o poderio do pós-guerra e dos trágicos danos causados por uma obsessão lancinante com o passado.
Avaliação do NMW: 

     Desde o início da leitura, o leitor já pode perceber que há algo errado. Há uma "atmosfera estranha" e o próprio narrador já deixa pequenas pistas de que algo de ruim irá acontecer. Há no ar uma atmosfera de tragédia, a todo instante parece que algo terrível vai ocorrer. Mas quando finalmente os fatos se desenrolam, a sequência dos acontecimentos é tão complexa e intrincada que o leitor não consegue prever o que poderá acontecer em seguida.
     Uma pergunta surge a todo instante: Como tudo isso irá acabar?
     O leitor, assim como o narrador personagem (um observador de perto da história e conhecedor de segredos de vários dos personagens e que eles entre eles, por sua vez, desconhecem) sabe de detalhes sobre os personagens, seus segredos e desejos. Assim o leitor compreende melhor o que está acontecendo e pode, com base nisto, criar suposições acerca do que poderá acontecer - embora esta não seja uma tarefa simples.
     A obra retrata, dentre tantos outros elementos, dois que são fundamentais a serem destacados: o esnobismo e a futilidade da vida da classe alta que está bem presente na obra; e o amor marcado pela divisão de classes. É importante ressaltar que a história se passa nos anos da década de 1920, uma época eufórica que sucedia o final da Primeira Guerra Mundial e que antecedia uma época de crise nos Estados Unidos.
      Por outro lado, a história também nos faz ver o quanto a vida é frágil e como em um mero instante tudo pode se acabar.
     Confesso que me revoltei com Daisy. Gatsby a protegeu e defendeu contra os outros, assumiu toda a terrível culpa para si (não vou detalhar mais para não dar spoilers), mas ela nem mesmo deu sinal de vida após os terríveis acontecimentos.
     Aliás, falando nisso, qual foi o desfecho de Daisy? O livro não esclarece, deixa para que o leitor imagine como ela se sentiu ou o que lhe aconteceu ao final de tudo. Esta é uma característica do romance, ele deixa uma série de "pontas soltas" que o próprio leitor deve tentar emendar, se for de sua vontade. Algo que também me deixou terrivelmente curiosa foi a real situação de Gatsby. Achei que o modo como Gatsby construiu sua fortuna ficou mal explicado e aquele telefonema estranho após tudo estar se findando deixou no ar que havia algo errado e que Gatsby estava metido em negócios obscuros (o próprio Wolfsheim como companheiro e parceiro de Gatsby já é uma prova disso). No entanto, a história não esclarece nem dá alguma pista ou indício do que realmente havia, apenas alusões vagas que os outros personagens faziam a seu respeito (justamente, talvez como o próprio narrador, também tentando descobrir sua real história).
"Ele estava se balançando sobre o para-lama do carro, com aquele desembaraço de movimentos que é tão peculiar aos americanos - que surge, suponho eu, da ausência de trabalhos pesados ou de sentar rigidamente na juventude e, ainda mais, da graça informe de nossos jogos esporádicos e nervosos. Essa qualidade se revelava continuamente em seus modos meticulosos, na forma de inquietação. Ele jamais permanecia completamente quieto; sempre havia um pé batendo em algum lugar ou o movimento impaciente de abrir e fechar a mão." p.46
     Pensando bem, é provável que esta tenha sido justamente uma escolha do autor, para manter inalterada aquela imagem misteriosa e cheia de segredos que Gatsby transmite no decorrer de toda a história. Essa hipótese se comprovaria se considerarmos o fato de que a história é narrada pelo ponto de vista de Carraway, o vizinho de Gatsby, e sendo que este nunca soube também de muito a respeito do enriquecimento de Gatsby (embora este lhe tenha revelado muito), talvez seja por isso mesmo que a história não esclarece este ponto. Outra perspectiva a esse respeito, é a hipótese de que o próprio narrador observador talvez nunca tenha chegado a descobrir e por isso, nós leitores, também ficamos sem saber - esta hipótese também se torna válida em relação ao destino de Daisy e outros pontos em aberto.
     Mas, se assim for, se essa hipótese estiver correta, passo a desgostar um pouco de Nick, pois após receber aquele telefonema cheio de mistérios e todo o medo que os antigos grandes parceiros de Gatsby sentiram ao saber do que lhe sucedera, ele podia muito bem ter buscado a verdade, ter procurado desvendar a história. Mas se, por outro lado, considerarmos a personalidade de Nick, essa conformidade com o que acontece também se justificaria, pois, de acordo com seu jeito de ser, ele seria o tipo de pessoa que pensaria: "ora, se o próprio Gatsby não quis me revelar, então é melhor não saber agora."
     No mais, é uma história bem interessante e sendo o primeiro livro de Fitzgerald que li, gostei bastante. O livro, que tenho na edição de luxo bilíngue - assim como a de Orgulho e Preconceito - é bem feita e a leitura é bem agradável.
Por Lerissa Kunzler

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