quarta-feira, 20 de maio de 2015

Pegue Suas Pipocas: A Chave de Sarah

Título: A Chave de Sarah
Título Original: Sarah's key
Duração: 111 minutos
Dirigido por: Gilles Paquet-Brenner
Atores Principais: Kristin Scott Thomas, Mélusine Mayance, Niels Arestrup
Gênero: Drama
Ano de lançamento: 2010

Sinopse (no filmow): Segunda Guerra Mundial. Os Nazistas controlam a França. Cerca de 13 mil judeus são presos num único dia em Paris. Depois de concentrados por uma semana, são enviados para a morte nas câmaras de gás em Auschwitz. A pequena Sarah e seus pais estão entre as muitas pessoas brutalmente arrancadas de casa pela polícia. Michel, irmão mais novo a garota, se esconde em um armário e Sarah o tranca lá dentro. Ela fica com a chave, pois acredita que em poucas horas estará de volta. Paris, maio de 2009. Julia Jarmond, uma jornalista americana radicada em Paris, escreve um artigo sobre os sessenta anos do episódio conhecido no país como "a concentração do Vel' d'Hiv". Durante a pesquisa, Julia descobre manchas no passado de seus próprios parentes, e começa a reavaliar o presente - reconhece que seu casamento já não existe mais. 
"Somos produto de nossa história."

     A Chave de Sarah é mais uma história sobre os horrores da guerra e sobre as consequências que se multiplicam e ramificam das mais variadas maneiras, desde o passado até o presente futuro. Como tantas outras, também trata sobre o nazismo, mas de uma maneira diferenciada. Pensar na história da menina Sarah, é pensar em tantas outras crianças, jovens e adultos que passaram pelos mesmos horrores, pela mesma história dolorosa que ela.
     A história do filme se divide em duas narrativas, uma que se passa em 1942, durante a guerra, e acompanha a vida de Sarah Starzinski; e outra que se passa em 2009, acompanhando a trajetória da jornalista Júlia Armond. A história de ambas se encontra em um determinado momento e Júlia acaba descobrindo coisas que abalarão sua própria vida e percebe que, de certo modo, sua história está conectada à daquela menina judia.
     No início, a história parece ser um pouco confusa, mas aos poucos as pecinhas vão se encaixando. Por meio do filme, acompanha-se a história de Sarah Starzinski, em 1942, uma menina judia que, junto a sua família, foi arrancada de seu lar, tendo que deixar tudo para trás. Porém, quando os policiais bateram à porta da casa da família Starzinski, Sarah conseguiu esconder seu irmãozinho dentro de um armário oculto, fazendo-o prometer que não sairia do esconderijo, como se fosse uma brincadeira de esconde-esconde.
     Assim, Michel, o irmãozinho de Sarah, escapa da ida para os campos de concentração. Sarah, no entanto, não consegue pensar em outra coisa que não seja resgatar seu irmão. Longe de casa, sua família se separa à força e ela se vê sozinha, com a chave em sua mão, e com um objetivo fixo em sua mente: resgatar Michel.
     Por outro lado, simultaneamente, em 2009, conhece-se a história da jornalista Júlia, que está para se mudar com seu marido e sua filha para um novo apartamento, que pertence à família de seu esposo há anos. Seu relacionamento com o marido é frio e parece que seu casamento perdeu o “brilho”. A situação piora quando ela descobre que a família de seu marido ocupara aquele apartamento, há décadas atrás, justamente na mesma época em que milhares de judeus foram obrigados a abandonar seus lares, sendo tratados como meros animais.
     As descobertas de Júlia chegam ao ponto de mudar sua própria realidade e, obcecada, ela não consegue pensar em mais nada que não seja desvendar o enigma que se põe diante dela, envolvendo as duas crianças judias. O que teria acontecido à menina Sarah? Teria ela conseguido fugir do caminho que, à força, a levava em direção à morte? E o pequeno Michel? Qual seria seu destino e sua história?


     A Chave de Sarah é, para se dizer o mínimo, uma história envolvente. Traz presente o drama e o horror dos judeus de uma maneira mais próxima e, por isso, muito mais tocante. É fácil de se identificar com a família de Sarah, pensando “E se fosse a minha?”, como Júlia pensou em sua filha ao ver as fotos de tantas crianças judias, em determinada cena da história.
     Não bastasse a história, o filme também se destaca em muitos outros aspectos. As imagens do filme são de ótima qualidade e as cenas são comoventes, transmitindo ao espectador a sensação daqueles que viveram ou presenciaram tanta tristeza. Mas, contraditoriamente, as cenas focadas em Sarah transmitem a esperança e mostram que nem tudo está perdido, mesmo quando parece que está. Na trilha sonora podemos encontrar músicas daquela época, o que faz com o espectador “mergulhe” mais facilmente no clima da época do filme.
     É, sem dúvida alguma, uma história triste e comovente, mas que convida qualquer pessoa a refletir sobre aquela realidade e a pensar nos próprios seres humanos. Até onde um ser humano é capaz de ir, pensando em seus próprios interesses e sem ligar para seu próximo? Realidades como aquela, embora não da mesma maneira, ainda ocorrem nos dias atuais.
     O final do filme foi – embora um pouco previsível para quem observa os detalhes – um ótimo desfecho. É de certa forma meio nostálgico pensar em quantas vidas já se foram, em quantos sofrimentos as pessoas já enfrentaram em suas vidas. Tantas vezes olhamos para algumas pessoas e nem sequer somos capazes de imaginar a história que está por trás daquele rosto, daquele olhar.
     Um drama nota dez.


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